felicidade, a união faz a força

Felicidade, alcançada pela partilha

A felicidade é a colaboração, o trabalho em parceria e o viver em comunidade. Há cerca de ano e meio liguei-me a um blog chamado Jardim do Mundo e acabei por escrever apenas o texto que vos deixo abaixo. Por questões profissionais na altura tive de libertar-me do blog quando mal tinha começado a colaboração. Fica a minha experiência e a necessidade de partilhar ainda mais coisas que vou descobrindo e que espero que sejam também do vosso interesse.


Vivemos numa sociedade em que o tempo passa sem nos darmos conta. Nunca temos tempo para nada, este nada que são as coisas que nos fazem mais felizes, com que nos identificamos, fazer uma viagem, dar um pequeno passeio, ler um livro, ver um filme, tratar do jardim, brincar com as crianças mais próximas, ter tempo para a família. Passamos todo o nosso tempo de vida a correr e esta correria toda em trabalho, como se a vida fosse só e apenas trabalho.

Dar tempo ao tempo

Em crianças crescemos na grande maioria das vezes com a pressão da sociedade do que queremos ser quando formos grandes e passamos a nossa infância e adolescência a estudar para ter um futuro promissor. Chegamos a jovens adultos e temos de viver para o trabalho, porque é importante criar carreira. Em adultos, continuamos a viver para o trabalho porque temos de pagar contas, incluindo a dos filhos. Depois chegamos à idade da reforma e não temos já saúde para fazer tudo o que o ficou por fazer durante toda a vida, e na verdade muitas das coisas faziam sentido terem sido vividas noutra altura, noutros anos da nossa vida.

Devemos todos trabalhar? Claro que sim! Mas devemos acima tudo viver e dentro desse viver temos também o nosso trabalho. Saber harmonizar a nossa vida entre trabalho e lazer é a chave para uma vida saudável.

As pessoas precisam de trabalhar e viver num ambiente e sociedade de confiança, cooperação, apreço, democracia e solidariedade para estarem motivadas e felizes. A competitividade é saudável, mas apenas até certo ponto, e o trabalho apenas com vista a obter lucro, sem nenhum sentido social, ecológico ou humanitário é completamente desmotivante e cria uma sociedade egoísta e focada no EU. Trabalhar em prol da sociedade, e da comunidade local, nacional ou mundial, criando laços de cooperação e contribuindo para uma causa comum, faz crescer em igualdade.

Uma alternativa ao sistema atual

O êxito da economia não deveria ser medido por indicadores monetários, mas por indicadores que medem os benefícios para a sociedade, a ecologia, a democracia e a solidariedade. Se as empresas trabalharem com base nestes fatores como consequência toda a sociedade terá também melhorias em todos estes aspetos. A maioria do nosso tempo diário é passado em trabalho ou a estudar, assim se os valores forem também impulsionados nesses ambientes a sociedade acaba por aplica-los também fora do espaço de trabalho e estudo e evolui.

O beneficio financeiro não deverá ser um fim, mas um meio para aumentar os valores pelos quais a sociedade se guia, aumentando a sua qualidade de vida, social e ecológica. Não existindo a necessidade de crescimento das empresas, apenas a manutenção destas, é facilitada a cooperação, a solidariedade, a troca de tecnologia, de encargos, de pessoal e de conhecimento entre todos os envolvidos e todos eles ganham com os relacionamentos e trocas.

Os limites de vencimentos deveriam existir, as heranças deviam ser limitadas a cada pessoa. Todos os excedentes aos limites deveriam ser repartidos e entregues a um “fundo de gerações” para que às gerações seguintes fossem permitidas igualdades de acesso.

Redução da carga horária e tempo livre

Reduzindo o horário de trabalho para 30 a 33 horas semanais o estilo de vida melhorará, tornando-se mais sustentável e menos consumista. Com a redução do horário de trabalho as pessoas teriam tempo para viver, seria fomentado o relacionamento e cuidados com a família e os amigos, todos poderiam ter tempos livres, dedicar-se à arte, a ler, e a envolver-se com entidades públicas. Seria ótimo também a cada 10 anos cada um de nós ter um ano sabático financiado com um valor mínimo, que nos permitisse ir para onde quiséssemos, e de onde viéssemos cheios de ideias, criatividade e vontade de mudar o mundo. Estas medidas ajudariam a reduzir o número de desempregados e a criar maiores igualdades, salariais e de oportunidades.

Economia do Bem Comum

Christian Felber

Christian Felber, um filósofo Austríaco, escreveu um livro em que apresenta este modelo económico de mercado, designado por Economia do Bem Comum em que o bem-estar social está acima do benefício financeiro, e onde descreve os principais valores em que assenta este modelo, considerado uma alternativa ao capitalismo e ao comunismo, “Economy for the Common Good. An economy model for the future.”.

A Economia do Bem Comum é um movimento social que defende um modelo económico alternativo, em que o trabalho é realizado com o objetivo do bem comum e da cooperação, em vez da orientação para o lucro e da concorrência, que fomentam a ganância e o crescimento descontrolado.

A Economia do Bem Comum baseia-se em 5 valores que são também a base para o balanço de uma empresa, designado de Balanço do Bem Comum:

  1. a dignidade humana;

  2. a solidariedade;

  3. a sustentabilidade ecológica;

  4. a justiça social e;

  5. a democracia, com todos os que nela participam e com os seus clientes.

Está ao alcance de todos nós mudar o mundo, e tudo começa por cada um mudar o seu mundo.


Fonte:

Jardim do Mundo – www.jardimdomundo.com/cooperacao-como-caminho-para-felicidade

Economy fot the common good – www.ecogood.org